Lá em casa me chamam de TOC porque tenho um problema sério com sujeira. Não gosto mesmo. Aliás, meu apelido carinhoso é ‘Maria Limpinha’.
No entanto, acho que é moda essa coisa de TOC. Igual à história do transtorno bipolar: ficou chique falar que é doente mental. Alguém entende? Eu não.
Não tenho TOC. Só não consigo sair do banheiro sem lavar as mãos, cozinhar com a cozinha cheia de lixo, dormir sem tomar banho, ficar com a mão suja de ônibus, sentar na minha cama com roupa de rua, guardar roupa usada. Isso é grave? Claro que não! É o mínimo! Exagero seria se eu não comesse em restaurante, só entrasse em casa descalça, não tocasse nas pessoas ou andasse com um vidro de álcool à tiracolo (gel na bolsa não vale, é mínimo também).
Se considerarmos que há pessoas que não lavam as mãos após usar o banheiro (desculpa, gente, mas eu mesma conheço várias dessas pessoas ‘desprendidas’ de asseio), até a maçaneta da porta é suja e está lotada de coliformes fecais. Pra quem não sabe, coliformes fecais são bactérias que estão presentes em grandes quantidades no intestino dos animais de sangue quente. E por acaso alguém aí sabe o que temos dentro do intestino? Pois é. No meu entendimento, coliforme fecal nada mais é que átomo de cocô, e ninguém me fará mudar de idéia.
Além disso, segundo o Fantástico (que é ótimo pra me deixar apavorada com essas coisas), aquelas barras que a gente segura no ônibus e no metrô têm mais coliformes fecais que um banheiro de rodoviária. Bonito, não? Aí eu vou sentar minha bunda em três bancos pra ir e três pra voltar, e ainda encostar a mesma bunda na minha caminha? Nem a pau, Juvenal.
Isso porque tô economizando nas análises. Se eu resolver pensar em tudo o que tem sujeira por aí, não ando, flutuo longe do transporte coletivo. E ainda por cima, com roupa descartável e balão de oxigênio de origem garantida.