Posts de Dezembro, 2007

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Da série ‘Publicidade que me faz feliz’

Dezembro 13, 2007
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Blog parado é sintomático

Dezembro 5, 2007

O negócio é perceber o sintoma. Sintoma de quê?
De falta de criatividade? De vida atribulada? De saco-cheio? De falta de amor à existência terrena? De sarampo? De estresse pós-traumático?

No meu caso, venho pensando há semanas no porquê de não estar mais atualizando o blog com a frequência normal. Alguns meses atrás eu postava todos os dias, às vezes até mais de uma vez. Agora, após uma gradativa queda nas publicações (uma vez a cada três dias, uma vez por semana, uma vez por quinzena, uma vez ao mês…), faz um tempão que não escrevo, os textos adquiriram outro tom, os temas usuais (que divertiam meus amigos leitores) mudaram e o Letras, Música e Cerveja não é mais o mesmo.
Na verdade, acho que por um tempo da minha vida este blog deveria ter outro nome. Foi uma época dura e sofrida demais. Um período em que fui obrigada a aprender a viver de novo, depois de 26 anos, como uma pessoa que teve um pedaço do coração arrancado e que precisava se virar pra ficar em pé, depois de muita experiência e depois de ter aberto mão de tanta coisa em favor de outras mais importantes.

Basicamente, não sabia o que fazer com a minha vida. Não tinha rumo, não tinha planos, não conhecia muitos dos meus talentos, não sabia nem se queria ficar por aqui mesmo. Não acreditava em mais nada e não via motivos pra me esforçar. Mas com o tempo as coisas foram mudando dentro da minha cabeça.

Deparada com a necessidade de resgatar meu próprio eu – que estava enterrado embaixo de tanta tristeza, passei a observar melhor o que me agrada, o que incomoda, minhas reações e expectativas a respeito das coisas e das pessoas. Descobri prazeres novos, alegrias diferentes e acima de tudo, que sou forte mesmo. E que se estou aqui ainda, há um bom motivo que um dia explicará tudo o que passei.

A dor está lá. Ela vive dentro de mim, mas agora está mais acostumada ao ambiente e relaxada. Escolheu um cantinho do meu coração pra morar, espalhou seus pertences, porta-retratos, escolheu a decoração e os tapetes. Ficará pra sempre, como uma hóspede discreta e eterna. É como se fosse uma visita que nunca irá embora, mas que você só percebe a presença de vez em quando, como por exemplo, quando troca as toalhas. Converso com ela vez por outra, que está se tornando uma amiga terna e compreensiva com as minhas limitações. Não chuta mais a porta, não usa o secador à noite, não frita bife de madrugada e me dá licença quando quero ficar sozinha. Me acostumei à sua presença e ela às minhas necessidades, questionamentos e bate-papos esporádicos em momentos de solidão.



Acontece que de uns tempos pra cá perdi a vontade que tinha de escrever bobagens engraçadinhas ou textos longos sobre meus sentimentos profundos. Com isso acabei me dando conta de que eu escrevia pra desabafar mesmo. Numa hora falava sobre o cotidiano besta que me envolvia e em outras discorria sobre tudo o que perdi. Realmente, eu tinha assunto. Normalmente é assim, quem só reclama tem muito o que falar.

Agora minha vida está diferente. Passei a fazer planos, a curtir o dia-a-dia, observar melhor o que me faz feliz e entender que a felicidade completa é uma utopia que só enche o saco, porque atrapalha que enxerguemos o que há de bom, nos faz pensar sempre que podia ser melhor e não aproveitar o que realmente é positivo, achando que tudo o que é ruim no mundo nos rodeia e rege nossos destinos.

Enfim. Buscar a felicidade completa é burrice. Esperto é quem sempre vislumbra o lado bom das coisas, porque esse sim é feliz.
E voltando ao título, blog parado, no meu caso, é sintoma de muito o que fazer. Ainda bem.