Posts de Setembro, 2007

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Este blog não aceita mais comentários.

Setembro 26, 2007

Pode parecer estranha essa nova postura, mas minha intenção é respeitar mais o que eu sinto e o que eu quero dizer. Cheguei a um ponto em que escrevia para os outros, e essa, definitivamente, não era a idéia inicial. Quando resolvi publicar um blog, pensava em expor minhas opiniões do jeito que minhas emoções quisessem, e não em me preocupar com a pauta seguinte.

Gostaria que meus leitores e amigos queridos entendessem que não abrir para comentários é uma forma de respeito à minha independência de escrever o que me der na telha sem pensar se isso gerará comments ou não. Assim minha criatividade trava. É muita cobrança, e minha vida já é difícil sem isso.

Tenho momentos criativos, outros apáticos, outros tristes, outros irônicos que só eu entendo. É difícil ser interessante o tempo todo, mas sempre acabo esperando por comentários, mesmo sabendo que um monte de gente lê o blog e não comenta. Para evitar isso e não bloquear aquilo que eu quero escrever, no more comments.

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Logística Divina

Setembro 26, 2007

Não sei se acredito em Deus. Pelo menos nessa forma pop de barba.
Acredito que haja, sim, uma forma de luz espiritual que nos orienta a traçar os próprios destinos e guia nossa vida para que aprendamos cada vez mais em todas as vezes que passamos pela Terra.

Pra mim, o Deus que a maioria das pessoas cultua é o cara mais fodido do universo.
Como não?

Imagine que você é Deus.
Agora imagine que você passa os dias da sua eterna vida ouvindo clamores de ajuda, pedidos desesperados e solicitações inusitadas. Imagine também como fica sua cabeça assim, sem descanso. Deve doer pra burro e a irritação deve ser a principal característica da sua personalidade, aliada a uma dose estratosférica de mau-humor e ressaca de vodka sem fim.
Fora que além de todo esse trabalhão mental, você deve controlar a vida de bilhões de pessoas, orientando guias espirituais e anjos da guarda, além de ficar de olho em quem atrapalha seu serviço divino de cumprir com os destinos traçados. Por vezes erra, lamenta não ter dado a devida atenção a uma brincadeira inocente que acabou em morte, a uma pessoa que toma uma bala que não era para ela, a um garoto que faz uma escolha errada e acaba com tudo o que você havia planejado para o futuro dele.

Provavelmente, Deus tem um puta sistema de logística instalado nos computadores do céu. É muita gente, muita oportunidade, muito caminho diferente, muito pensamento, muita coisa errada, muita influência negativa, muita gente doida, muita cultura. É muito muito de tudo. Deve ser uma merda ter que controlar o mundo inteiro. Ele precisa lidar com um emaranhado de informações e particularidades tão complexo que tenho certeza de que o Homem não é um homem: é um cérebro do tamanho da Ásia.

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Setembro 24, 2007

Estou triste e não quero falar. Não quero escrever, não quero pensar.
Se pudesse, tomaria um remédio bem forte pra dormir por meses.
Já faz quase um ano e a sensação não vai embora. É um inferno. Minha memória age como mocinha e vilã da história. Por causa dela tenho a impressão de que tudo aconteceu ontem. Os diálogos, os exames, as situações, os medos, tudo o que eu queria esquecer. Mas sem essa mesma memória perco o que me é mais precioso, que é a memória dele. Só o que sobrou do maior amor do mundo, do sentimento mais lindo que eu senti na vida, da minha melhor experiência. A lembrança do meu filho é minha única riqueza.
Devo ter feito ou sido algo de muito ruim em outra vida pra merecer sofrer desse jeito.
É um aperto no peito que não passa… Relaxo às vezes, mas a pressão não vai embora. Ela dorme, e o vulcão de dor dentro de mim parece que está sempre pronto a explodir e acabar comigo. Lutar contra isso está me obrigando a um esforço sobre-humano. E tem hora, sinceramente, que eu questiono se realmente vale a pena seguir em frente, mesmo tendo certeza absoluta que esse sentimento vai me perseguir pelo resto da vida. Não sei se vale. Não sei se eu agüento. Só sei que a falta que eu sinto do meu filho é maior do que qualquer coisa boa que um dia possa vir a me acontecer. Muito maior. E o buraco que eu tenho no coração vai sangrar pra sempre.

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Cuca torrada.

Setembro 20, 2007

Não consigo escrever nada de interessante.
Nada que eu goste de ler.

Só consigo pensar agora nesse calor da porra. Até pensar faz a gente suar nessa porra de temperatura de forno rápido.
Odeio calor. Odeio.
Odeio sol na cara, roupa colada de suor, cheiro de gente suada.
Odeio setembro porque tá perto de novembro e dezembro. E pra chegar abril ainda demora. E nessa porra de país tropical o verão já começa em setembro e termina lá no início de abril. São quase trezentos e doze meses de sol a pino. Delícia.

Voto pelo chuveiro no escritório.
Voto pelo ar-condicionado portátil.
Voto pelo uso de shorts, regata e chinelo no trabalho.
Voto pela escravidão de homens lindos, fortes e mudos para me abanar, fazer massagem relaxante e trazer água de coco gelada a cada 20 minutos.

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"Sometimes I feel so happy… Sometimes I feel so sad…"

Setembro 19, 2007

O saco é que esses altos e baixos da minha vida nunca são pra valer. É como um limbo. Se estou feliz, nunca estou completamente e vice-versa. Nada é tão completo: nem a felicidade e nem a dor são capazes de me engolir. É uma situação meio apática essa. É como se do alto, algo insistisse em me puxar pra baixo, e de baixo, algo insistisse em me puxar pra cima.
Tem dia que eu me divirto, que realizo coisas legais. Mas nada tão absoluto.
Tem dia que eu não queria sair da cama, que me sinto inútil e infeliz, torcendo pra minha hora chegar logo, mas nada tão absurdo.

Confuso, não?
Vem ser eu por um dia pra você ver.

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Do avesso

Setembro 11, 2007

Tem brasileiro que parece ser do avesso.
Aquele tipo de odeia MPB. Até tenta gostar, mas no máximo respeita a trajetória de luta, militância ou vanguarda de determinado artista, mesmo achando uma bosta (e que venham as pedras que podem me ferir, mas não me calar). Que tem pavor de samba, suor e carnaval, não dá a mínima para a seleção e (pasmem!) ignora o local da próxima copa do mundo (e ainda por cima se atreve a escrever ‘copa do mundo’ em caixa baixa).
Aquele ser que não tolera praia, povão. Que considera o termo “música de raiz” uma furada. Aquele que não gosta do verão e acha que nasceu no trópico errado.

Aquele que fica indignado com o famoso “jeitinho” e que não dá a mínima para manifestações inflamadas de patriotismo de boutique.
Aquele que adora rock e sabe que no Brasil o negócio é complicado (pra ao dizer impossível – questão de cultura… enfim). Que fica de saco cheio em ter que explicar aos outros brasileiros como é que pode ter pavor do Caetano Veloso e achar a Marisa Monte uma chata de galochas.
Há vários brasileiros assim: do avesso. Conheço alguns, e posso dizer que embora não sejam da ala de simpatizantes do Tropicalismo (questão de cultura, de novo), são bem legais. E criativos. Questionadores. Curiosos. Diferentes.

E daí?

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Preciso descobrir onde tá meu botão do foda-se

Setembro 6, 2007

Sentimento de culpa é uma merda.
Remete a inferioridade, a falta de amor-próprio e de confiança no próprio taco.
Tenho esse problema com tudo na minha vida. Sempre acho que tenho que fazer tudo certo e que o mundo me julga o tempo todo. Provavelmente, isso vem de bem antes de eu ser gente e tem a ver com os valores que me foram passados. Mas não é o que eu quero.
A questão interessante é que meu consciente vive brigando com o inconsciente, e enquanto eu sei que a maioria das minhas culpas (se não todas) tem base na mais pura besteira, sinto lá no fundo que devo algo. Sempre, sempre. E toda vez acabo me preocupando mais com os outros e com o que esperam de mim do que com o que eu penso.
Quem sai perdendo?
Eu, que me sinto travada a cada vez que me dá na telha fazer algo só pra me agradar, sem ligar para o que os outros pensam.
Que coisa.

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Quem esse povo acha que engana?

Setembro 5, 2007

Ontem vi um imã de geladeira do China In Box com uma foto da Adriana Galisteu. Acho que é antigo, mas vale para o texto. Em busdoors sempre tem propaganda da Daniele Winits anunciando a linha de tratamento de cabelo da Avora. Todo mundo já viu a Xuxa dizendo que o hidratante Monange é que deixa a sua pele ‘goixtuosa, maciiiia…”. Giovane, Ana Paula e Leila, do vôlei, vez por outra estão no Shoptime anunciando as maravilhas que o AbShape faz por você e sua barrigona flácida. Grazi é garota-propaganda do “Shopping Metrô Tatuapé. É, do Tatuapé. Isso só pra citar algumas ‘celebridades’ que vendem sua imagem para a publicidade de produtos que elas NUNCA sequer usariam.
Quem esse povo quer enganar, meu deus?

Adriane Galisteu comendo China In Box??? Hahahaha…
Daniele Winits usando Avora em seus cabelos? É ruim, hein, nega?
E a Xuxa? Ah, a Xuxa. Só a Xuxa… Monange, Jesus??

E os atletas do vôlei? São dos mais ridículos. Afirmam que para obter uma boa-forma só são necessários 20min diários de AbShape. Justo eles, atletas de conhecimento, fama e conquistas internacionais, que desde a adolescência treinam feito malucos, queimando calorias da forma mais correta, se exercitando, e não vendo TV.

É de morrer de rir.

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Aos amigos que estão abandonando meu blog por falta de atualização

Setembro 4, 2007

Tem gente me cobrando post.
Tem gente me pressionando por resultados.
Tem gente que me adora e quer notícias minhas.

Ando sem tempo… e com muito trabalho, graças a deus.
Enfim.
Tá tudo bem na minha vida. Claro que esse ‘bem’ é relativo… Mas na medida do possível, estou indo.
Dias vão e vem e eu percebi que já cheguei no máximo de recuperação. Se fosse uma doença, já estaria a 100%. Não porque me sinta a 100%, mas porque não vai mais.
Algumas pessoas me disseram que isso ficaria em mim como uma cicatriz. Verdade. Uma cicatriz bem dolorida, daquelas que passam despercebidas a maior parte do tempo, mas quando doem, doem ‘que nem homem’, se é que vocês me entendem.
É uma droga não ter mais meu filho.
É uma droga não ter que acordar de madrugada pra ver se ele está quentinho ou se já chutou o edredom pra longe. Não ter que acordar cedo e correr para a cozinha e preparar a mamadeira antes dele acordar.
É uma droga não ter pra quem comprar um brinquedo legal. Não ter pra quem fazer um macarrão com molho vermelho e ouvir aquele “hum! Tô cheirando um cheirinho de macarrão!”.
É uma droga viver sem ele.

E é uma droga viver tentando me convencer de que eu consigo fazer isso.
Eu não tenho escolha.