Todo mundo tá careca de saber que atendimento de telemarketing é uma merda. Não importa o quão grande é a organização que responde por ele, é tudo uma grande e fedida merda.
Os atendentes não falam português e muito menos entendem a nossa língua. São treinados somente dentro do “manual de procedimentos” e no abominável idioma “estarei-estando-verificando”.
Abaixo, um exemplo (que ocorreu com o Marido):
Erika Pereira: Olá Luís Felipe, em que posso ajudar?
O Marido: Olá
O Marido: O frasco do meu Natura Humor caiu no chão, danificando a válvula de aplicação (quebrou aquele canudo branco). O que faço? Como consigo trocar a peça ou o perfume?
O Marido: O frasco ainda está com 2/3 do perfume – que eu e minha esposa adoramos…
Erika Pereira: Compreendemos, porém não podemos efetuar a troca de um produto quebrado.
O Marido: Tudo bem. Como conserta-lo então?
Erika Pereira: Luís, como ocorreu este problema?
O Marido: De novo: o frasco caiu no chão, danificando a válvula. Gostaria de trocá-la para continuar usando o perfume. Se for possível, claro. Se for muito difícil, compro outro – de outra marca.
Erika Pereira: Entendemos a sua posição, porém não podemos efetuar troca de produtos quebrados, este é um procedimento da empresa.
O Marido: Não quero trocar o produto, quero apenas consertar a válvula…
O Marido: A Natura não tem uma solução para isso?
Erika Pereira: Não vendemos a válvula separadamente.
O Marido: Isso significa: a Natura não tem solução. Certo?
Erika Pereira: Neste caso não temos.
O Marido: Fantástico. Imagine o cara que compra um carro e amassa a roda. Ele tem que jogar o carro fora porque a fábrica não tem outra para trocar…
Erika Pereira: (silêncio)
O Marido: Obrigado pela atenção.
Posts de Julho, 2007

Telemarketing
Julho 31, 2007
O que ficou é de papel
Julho 27, 2007Ainda não posso com as fotos. Principalmente aquelas mais recentes, as últimas. A risada dele, os olhos, a alegria e a cara de serelepe malandro me fazem desabar de novo. Como quando achamos que estava tudo bem e descobrimos que a maldita tinha se recuperado e tomado o corpinho dele por completo: senti como aqueles caras que estão apanhando nos filmes, no chão, e que quando conseguem se levantar levam uma cadeirada nas costas que derruba-os com violência. De volta à estaca zero… É essa a sensação que tenho quando vejo uma foto dele, ou dele com a gente.
As mais antigas não me abalam tanto, talvez por terem sido feitas quando nem imaginávamos o que estava pra acontecer, quando nossa realidade nem de longe nos consumia. Quando fazíamos planos para o futuro, quando sonhávamos com as coisas que ele iria fazer. Quando fazíamos um monte de fotos e ampliações, planejando um mural lindo para nossa casa.
Já as mais recentes são tão lindas quanto terríveis, porque mostram um menininho tão alegre, tão cheio de vida que me dão vontade de desistir de tudo, porque aí percebo que por mais que eu queira, essa dor nunca sairá de mim.
Por outro lado, agradeço todos os dias por ter passado o tempo que passei com ele e ter sido tão importante em sua vida pra torná-lo um cara tão legal.
O luto é realmente ambíguo e confuso. Como uma depressão crônica.
Serão altos e baixos pra sempre e isso ainda me assusta…
Mas de uma coisa tenho certeza: viver agora tornou-se muito, muito mais simples.

O Homem do Mato
Julho 25, 2007O Homem do Mato gosta do mato.
De ar puro, terra, vaca, boi.
Do barulho silencioso da noite.
Não corta o cabelo, não faz a barba e não se penteia.
Interpreta o som do vento.
O Homem do Mato colhe na horta pra se alimentar.
Sobe-morro-desce-morro.
Aprende com a roça e valoriza o conhecimento caipira.
Enxerga beleza onde nem todo mundo vê.
O Homem do Mato vive.
Passa a tarde sentado na varanda, sentindo o tempo ir embora.
Sem pressa, sem companhia.
Entende a solidão e não sente falta de televisão.
O Homem do Mato sabe e não precisa provar.
Tem a sensibilidade da terra.
E ouve com o coração.

Vício
Julho 20, 2007Há pessoas viciadas em bebida, cigarro, drogas. Outras em sexo, jogo e Nutella.
Outras ainda são viciadas em telefone, em SMS, em Telecompras, em limpeza dental, em álcool em gel. Vício que é vício está ‘ali’ com o famoso TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo): não dá pra levar a vida sem o maldito objeto do vício.
Claro que há sérias diferenças em vício e mania, mas algumas manias são tão chatas, tão insuportáveis e difíceis de largar que eu prefiro chamar de vícios.
…
Eu tenho um vício.
…
Desde pequena, como cutícula.
…
(laughing time)
…
Tá. Pode soar engraçado, mas esse vício é um saco. E incontrolável.
Há duas semanas decidi duas coisas na minha vida: a primeira, é que iria me reeducar, ser disciplinada e praticar exercícios físicos com regularidade e por fim, emagrecer, algo que tento há anos e não consigo. Fica cada vez mais difícil, o metabolismo-quase-trinta não ajuda… Além do mais, cansei das minhas próprias desculpas esfarrapadas que só serviam como auto-sabotagem.
A segunda coisa seria parar de comer cutícula. Sério. Prometi a mim mesma que minhas unhas voltariam a ser normais. Sem cantos machucados, sem um bife a menos a cada momento de ansiedade. Mania (vício, vício, vício) que herdei do meu pai, que diz ter conseguido sair dessa vida, mas que ainda é pego com o dedo na boca vez por outra. Minhas unhas ficaram deformadas e hoje eu detesto minhas mãos.
Parabéns pra mim que, numa conquista inédita na minha história, estou há dez dias de dieta. Sem deslizes. Sem refrigerante, sem doces, sem frituras, sem massas. Nunca me controlei tanto e já consegui tornar passado 1kg e 1/5 de fofura non-grata.
Mas, gente do céu!, ficar sem a bendita cutícula está sendo o maior dos desafios. Não consigo! Parece que meu cérebro bloqueia a decisão que tomei e vai lá mais um bife. E o dedo dolorido por dois dias…. Peraí, só um pedacinho que me incomoda… Lapt. Foi outro.
Impressionante. É só aparecer um fiapinho, um cantinho puxável e lá vou eu, como se aquela cutícula fosse minha última refeição. Não chega a ser nojento porque, como o Marido sempre fala, sou a “Maria Limpinha” e minhas mãos estão sempre cheirosas e higienizadas (outro TOC, mas menos nocivo), mas é chato e minhas mãos vivem machucadas. Cheguei, uma vez, a ter uma infecção brava por causa disso, mas não aprendi.
São dez dias de dieta de comida, não de cutícula, porque sempre mordo um pedacinho.
Uma hora fico sem dedos. Magra, elegante, mas sem dedos.

Insensibilidade
Julho 19, 2007A abordagem da mídia em relação ao acidente em Congonhas é uma das mais sensacionalistas que eu já vi.
Enquanto ela se preocupa demais em ouvir e transmitir frases como “eu estava lá!”, “é, deu muito medo”, ou “eu achei que iria morrer!” de pessoas que por acaso passavam pelo local ou trabalhavam a 500 metros dali ou também por acaso fincaram raízes em volta dos escombros para aparecer na televisão, ao mesmo tempo invade a privacidade das famílias das vítimas de forma assustadora, curiosa e inconveniente.
Quem perde um ente querido, pra começar, não quer conversar. Não quer ver ninguém, muito menos dar declarações televisionadas contando o quanto a pessoa era isso ou aquilo. Falar sobre seus sonhos então, é terrível. Sonhos que caem por terra doem mais que qualquer coisa.
Dor, minha gente. Dor! Perda! Alguém sabe realmente o efeito desses sentimentos?
Perguntam a uma avó que perdeu filho, nora e neta, o que sentiu quando descobriu que a família morreu no avião. O que se espera que ela diga, meu deus?…
Divulgam declarações de pessoas que, por um ou outro motivo, mudaram o horário da viagem na última hora e escaparam. “Como você se sente?”, “Ah! Eu nasci de novo!”. Esses sortudos deveriam é ficar bem quietos, pensando na chance que tiveram, e não agir com essa falta de tato diante de centenas de famílias que tiveram as vidas seriamente lesadas para sempre.
É um absurdo usar o sofrimento alheio pra vender jornal, pra tentar causar comoção pública inútil e desnecessária.
Aliás, absurdo não. Ridículo, baixo.
Eu que estou precisando entender a imprensa ou esse povo é que está precisando de semancol?

Será que só eu fiquei constrangida?
Julho 16, 2007Tá bom que o Brasil é (ou deveria ser) um país democrático.
Tá bom que as pessoas devem lutar por seus direitos.
Tá bom que todos devem ter liberdade de exprimir toda a sua revolta com as instituições quando bem entenderem.
Tá bom que “democracia é isso aí”.
O problema é o respeito. Ou a completa falta dele.
Como o caso que contei no post anterior a este, os brasileiros, em geral, não respeitam nem a si próprios. Não conhecem os próprios direitos e são mestres em falar merda na hora errada.
Sinceramente, achei uma falta de respeito absurda o que o correu na abertura do Pan. 40.000 pessoas vaiaram o Presidente da República numa situação que era para ser de festa, numa das cidades mais lindas do mundo e considerada também uma das mais violentas, e que só sedia os jogos por causa do apoio do governo federal. A mesma cidade onde, durante os jogos, os taxistas poderão aproveitar dos turistas oficialmente, trabalhando em bandeira dois 24 horas por dia. No país onde somos roubados todos os dias pelos pilantras que elegemos.
Não sou PT: que isso fique claro. No entanto, acredito que o Lula fez muito pelo país. Teve seus tropeços, confiou nas pessoas erradas e tomou decisões inoportunas. Mas uma coisa que deve ser considerada, é que se o Presidente governasse o país sozinho, sem dividir o poder com o congresso, estaríamos numa ditadura, não num regime democrático. Outra coisa que ninguém pensa nessas horas é que temos tanto direito quanto ele de estar lá, regendo uma das nações mais controversas do mundo.
A questão é que não há ninguém confiável que queira fazer isso. Não há gente boa o bastante para formar um time de governo. As laranjas podres teimam em estragar tudo para se dar bem e nós ficamos em casa, assistindo tudo de camarote, dizendo que não podemos fazer nada. Chegou no bolso a gente reclama, mas dificilmente entende o que está falando e jamais tenta mudar as coisas.
Devemos considerar também o que foi positivo nos anos de governo do Lula. E lembrar (LEMBRAR!, porque povo esquecido como o brasileiro não tem) que esse ranço de hipocrisia e desonestidade faz parte da cultura do país em toda a sua história. Não começou na posse do Presidente.
Burro não é ele. Somos nós, que só sabemos gritar e agitar bandeiras no meio do povão, na febre do coletivo, dando risada e soltando xingamentos anônimos e medrosos. Na hora de tomar atitudes sérias, preferimos ver novela a questionar os próprios defeitos, com preguiça (preguiça!) de participar de um governo que constitucionalmente espera nossas indagações e propostas.
Tá bom. Sentar em cima do rabo e vaiar o outro é fácil.
Só que não nos acrescenta nada de bom.

Mudar vai dar trabalho…
Julho 16, 2007Sexta-feira, terminal rodoviário Tietê.
Assim que embarquei o ônibus saiu. Na portaria da rodoviária fica um fiscal da Socicam (empresa de mão-de-obra), responsável por controlar a saída de funcionários da rodoviária que pegam carona nas linhas. Ele fez sinal para o motorista, que já reclamou:
- Mas que saco! Esse moleque não deixa passar nada!
O fiscal subiu e perguntou se havia funcionários da empresa entre os passageiros. Com a afirmativa do motorista, disse que precisava ver os crachás para lançar no controle (tinha uma prancheta nas mãos). Com muita má vontade, o motorista indicou onde estavam os dois funcionários e ele entrou pelo corredor. Nisso, o motorista soltou outra:
- Daqui a pouco vai pedir RG…
O passageiro da poltrona três, até então quieto, também fez piada:
- Ele vai querer ver os passaportes…
- Pois é! Toda vez que é turno dele esse moleque pára todos os carros!
- Medo de perder o emprego…
Eu só observando. Até agora, tinha entendido que o trabalho do fiscal era justamente aquele, e ele estava cumprindo com sua obrigação.
Depois de conferir os crachás, saiu, agradeceu ao motorista e deu boa noite, descendo do ônibus e liberando a passagem.
Rodamos 150m e o motorista parou de novo, já fora da rodoviária. Abriu a porta e permitiu a entrada de um ambulante com uma caixa cheia de pacotes de batatas-fritas.
- E aí, Fulano, beleza? – Perguntou ao motorista.
- Beleza! Vai lá.
O vendedor entrou, ofereceu suas batatas-fritas a todos os passageiros e o motorista fez o favor de sair pouco do lugar, pra não atrapalhar o trânsito. Mal moveu o carro.
O vendedor voltou, já com a caixa quase vazia e falou:
- Que vai hoje, Fulano? (ele sabia o nome do motorista)
- Tem suco?
- De laranja e tangerina.
- Vê um de laranja.
O ambulante tirou o suco, deu ao motorista, não cobrou, agradeceu, concluiu seu “serviço”, deu boa-noite e desceu do ônibus.
E eu continuava tentando entender essa escancarada inversão de valores.

Eu hoje. E em todos os últimos dias.
Julho 12, 2007
2 de agosto
Julho 12, 2007O aniversário dele está chegando e pra mim isso é como se alguém viesse e chutasse meu coração, espalhando todos os pedaços que venho tentando colar.
Ele faria 4 anos. E ganharia uma festa do filme “Carros”, que eu procurei para o ano passado, mas não encontrei. Deixei pra lá, pensando em fazer no ano seguinte, e caprichei numa decoração que ele adorou: a festa do Batman. Lembro que pensei até em vesti-lo com a roupa do homem-morcego que ele usava direto, mas já estava bem surrada…
Enfim, que bom que ele se divertiu.
Os dias têm passado arrastados, tristes, pesados. O luto está mais ameno sim, mas este é um dos picos mais fortes, o que eu já esperava que acontecesse.
O que eu faço? Espero passar, vivo minha vida, trabalho, amo, planejo.
Afinal, será só mais um dia, como todos os outros do resto da minha vida: cheio de saudade.

Essa tal de legging
Julho 10, 2007Fui a uma festa no sábado e fiquei impressionada (como sempre fico mesmo) com a quantidade de variantes de legging-com-mini-vestido que tinha à minha volta. Era basicamente a mesma roupa em mais de 300 meninas, mulheres e senhoras magras, gordas, altas, baixas, com pernas finas e com pernocas de 20cm de diâmetro. Medo.
Observando o mundo (como sempre faço mesmo), percebi que certas roupas são como arma em mãos de criança: um perigo.
O problema é a porcaria da moda.
Ta bom, não nego que já pensei em comprar um mini-vestido. E uma legging. Mas até agora não o fiz porque, como raras exceções na minha raça feminina, eu tenho noção. Se acho feio nas gorditas, não uso porque ficará feio em mim também. Se acho esquisito nas baixinhas de pernas grossas, não uso porque ficará esquisito em mim também. Não é tão difícil assim…
Claro que posso mudar de idéia (como toda mulher que se preze) e comprar um kit desses pra mim. Mas uma coisa eu sei: se for pra usar e ficar uniformizada ao lado de outras 300, não uso.
