Posts de Junho, 2007

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Altruísmo perdido

Junho 28, 2007

Ontem aconteceu um episódio aqui no escritório que chamou minha atenção. A dona de um salão de beleza conhecido da mulherada da redação lançou a seguinte “promoção”:

Doe agasalhos e ganhe uma hidratação!

Fiquei pensando no altruísmo da cabeleireira, que trabalhará de graça e doará as roupas arrecadadas a uma instituição de caridade. No entanto, acredito que nenhuma das meninas que doará o fará de forma altruísta, pois ganharão algo com o “gesto”, que no mesmo salão, custa R$30.
A iniciativa, embora equivocada, é louvável. A dona da idéia arrecadará roupas pra quem precisa em troca do próprio trabalho. Mas não acho que quem levará uma hidratação de brinde em troca de umas peças que não usa há anos seja muito nobre. Só doará agora pra sair ganhando de alguma forma, sabe? É chocante. E triste.
O gesto deve existir independentemente de se ter alguma vantagem.

Aí lembrei de outro caso: fazia tempo que tínhamos (o Marido e eu) umas roupas pra doar em casa. Como não tínhamos tempo pra procurar uma instituição, quando o banco onde ele trabalha se afiliou à Campanha do Agasalho 2007 não pensamos duas vezes e baixamos o guarda-roupa. Foi embora um monte enorme.
Após quase três semanas de coleta no escritório, ele me ligou e disse que, desde a nossa doação, ninguém mais havia acrescentado à caixa nenhuma peça que não fosse camisa da empresa. Daquelas que eles ganham sempre pra divulgar a marca e tals. Ou seja, em três semanas de doação, só nossas roupas estavam lá.

Cadê a solidariedade desse povo, meu deus? Cadê o “fazer o bem sem olhar a quem”?

O individualismo às vezes cega.
O problema é que o cego nem sempre se preocupa com o que deixou de enxergar.

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Cheiros que não acabam mais

Junho 27, 2007

São Paulo tem uma variedade de cheiros tão diversos que é impressionante. Num dia de semana normal, ao sair de casa sinto cheiro de feijão. Tenho uma vizinha que adora cozinhar feijão às 8h da manhã. Ao entrar no elevador, sinto cheiro de perfume feminino. Bastante perfume feminino. Saindo para a rua, sinto cheiro de carro. Pra quem não sabe, cheiro de carro é uma mistura de blends de borracha queimada com aromas combustíveis, como gasolina, álcool, GNV, diesel.
Aí começo a caminhada até a estação. Sinto cheiro de cocô de gato, pastilha de freio, do xampu da moça que passa de cabelo molhado, do Axe Super Maccho do moço que acaba de sair do chuveiro e vai bater ponto na GM jájá. Cheiro de madeira nova da loja de móveis, cheiro de gasolina nova no posto. Novamente, sinto cheiro de carro e borracha e frentistas, daqueles que passam tanto gel no cabelo que ao final do dia ainda parecem recém-saídos do banho. Passo em frente a um boteco que toca sertanejos baratos desde cedo e cheira fritura velha com pinga. Cheiro forte de diesel queimado, estou chegando à estação. Não sei por que, mas sempre sinto o cheiro daquelas massinhas de fixar vidro em janela. Não sei de onde ele vem, um dia descubro. Pra mim, é o cheiro da estação. Na plataforma, sinto o cheiro da poeira e das pedras que ficam entre os trilhos.
Se penso que minha aventura pára, por aí, hahaha!!!! Agora eu tenho que entrar no trem!
Já dentro do vagão as coisas ficam mais difíceis de definir, mas posso dizer que sinto cheiros de pum, perfume barato, desodorante de quinta, perfume importado, hidratante para os pés, calça jeans usada-por-três-dias-seguidos, couro surrado, relaxador de cachos, banho de mentira, chulé, pum, cabelo ensebado, roupa guardada, amendoim, pinga, pum, remédio, cecê ameno, cecê médio, cecê grave, cecê insuportável, bafo matinal, bala de hortelã, pum. Tudo de uma vez. Quando disse que a mistura de cheiros por aqui é impressionante, não exagerei.
Chegando à estação, após um breve cheiro de oxigênio fresco (poluído, mas ainda oxigênio), o cheiro de gente predomina de novo. Ao entrar no metrô as coisas não mudam muito, só o oxigênio fica morno. O cheiro humano é um pouquinho menos desagradável, mas mesmo assim, a quantidade de aromas ainda é enorme e continua assim até eu desembarcar do ônibus, depois do metrô, já na esquina do escritório. Ao pisar na calçada já me bate um cheiro forte de restaurante chinês daqueles bem porquinhos. Um mix de yakissoba com pastel com rolinhos primavera com gordura velha. Viro a esquina e tem outro boteco. De novo, cheiro de pinga com torresminho frito-tem-mais-de-três-dias. Aí vem um cheiro horroroso de xixi. Cheiro de gente sem banho. Cheiro de cachorro sarnento.
Ainda bem que estou chegando. Atravesso a rua e sinto cheiro de bacalhau. Bacalhau, o peixe, que na esquina tem um restaurante português. Cheiro de ônibus, cheiro de restos de demolição, cheiro de água empoçada. No prédio já sinto cheiro de desinfetante de litrão. Entro no elevador e sinto o cheiro do tapete. Chego ao décimo andar e sinto cheiro de corredor sem janelas.

São 09h30 da manhã (da mesma manhã do início do texto) e acho melhor parar de relatar minhas aventuras olfativas, senão precisarei criar um blog só sobre esse assunto.



(No começo do post pensei em descrever um dia inteiro, mas a narrativa de uma hora e meia dos odores da minha vida semanal já deu preguiça.)

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A arte de Chutar o Balde

Junho 26, 2007

Quero deixar uma coisa clara aqui: de vez em quando, é imprescindível para o satisfatório encaminhamento da vida dar um bom chute no balde. Chutar mesmo, com gosto. Não fazer só uma pequena manifestação, mas dar uma boa bica e ir contra tudo o que se espera de uma pessoa disciplinada e certinha como você.
Afinal, chutar o balde é uma arte. E sinônimo de tosquice plena.

Por exemplo, passar a tarde toda sem comer nada é um excelente empurrão para um magistral chute de balde.
Cá estou, de dieta – como na maior parte da minha vida (não sei porque ainda não desisti de tentar me enquadrar em padrões que não são meus…. enfim). Almocei um belo prato de salada de folhas com batata e carne cozida (superlight e saudável), depois de um café da manhã composto, basicamente, de 1 potinho de Activia e 4 morangos picados (superlight e saudável). Eis que, às 16h30 me bate uma fome desesperadora. Oh! Que faço?
A opção mais correta seria comer uma barrinha de cereal, talvez tomar um suco ou comer uma fruta. Mas, como sabemos bem que nada dito light mata a fome e essa história toda de que só precisamos de calorias é uma grande enganação (se fosse assim, viveríamos de comprimidos e seríamos todos completamente infelizes), chute logo o balde e mande dois “salgado” e uma coca-cola. Se um dos salgados for frito, então, isso é que é categoria. Gol de placa. A coca pode ser light, tudo bem (e não porque é light, mas porque eu prefiro coca light à normal). Chutei o balde.

Mas, como diz o sábio ditado, “Fodido por um, fodido por mil”.

E a fome? Já era.
Hehe.

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51 dias de vandalismo

Junho 25, 2007

Alguém por acaso viu o estrago que os estudantes grevistas da USP fizeram no prédio da reitoria da universidade?
Isso porque são estudantes DA USP, e teoricamente, são pessoas que têm mais acesso à cultura, educação, normas sociais de conduta e uma idéia bastante definida de propriedade, do que é certo ou errado, do que é vandalismo e do que é manifestação cidadã.
Como sabemos, só entra na USP quem teve uma boa educação durante a vida, veio de famílias que puderam pagar as melhores escolas, os melhores professores, o melhor de muita coisa. Há sim estudantes de origem humilde, mas sabemos que eles são minoria.
Portanto, me pergunto: Por que a greve? Por que essa manifestação?
Já li muita coisa sobre o assunto, mas o real motivo ainda não ficou claro.
Uma coisa que li e que me marcou foi que uma das exigências era que o governo liberasse mais refeições aos estudantes. Com tanta coisa terrível acontecendo no mundo, esse não me parece o pior dos problemas. Tudo bem que estou de fora, e como quem tá de fora depende da cobertura da mídia e a mídia por vezes (muitas, aliás) é parcial, talvez as informações que chegaram até mim estejam incorretas. No entanto, vi imagens de como ficou o prédio da reitoria depois de 51 dias de ocupação. Até o forro estava destruído. Material de escritório, salas, computadores, portas. Paredes pichadas. Tudo coisa cujo pagamento sai do bolso dos que pagam impostos.

Que razão essas pessoas querem ter?

O pior foi que quando resolveram ceder, uma das exigências era que os manifestantes NÃO FOSSEM ACUSADOS pela depredação do lugar.

Tá bom. Estamos no Brasil mesmo.

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Visão

Junho 19, 2007

Estava lendo uma notícia estúpida quando tive uma visão. Era Deus reclamando.

“Não sei mais o que fazer com a Santa Igreja, minha filha…
Ela já foi um interessante veículo de mídia, trouxe-me muitos fiéis e abrigou leis legítimas à cristandade. Mas, como toda a humanidade – você, claro, é bem legal, perdeu completamente a noção de ridículo.
Ela não acompanha a evolução das coisas, mete o bedelho onde não é chamada, condena pessoas por amar os próprios semelhantes, acredita-se superior a ponto de esconder a verdade de muita coisa só pra não perder o (pouco) controle que ainda tem sobre o mundo.
Coitada da Igreja. Ainda mais agora, depois da eleição do novo papa. Eu que me livre! Bicho maluco, extravagante, ditador! Tem a maior cara de comedor de criancinhas. Quem ele pensa que é? A Igreja deveria pregar o desprendimento material e a elevação do espírito. E o alemão usa sapatos Prada! Enquanto bilhões de pessoas passam fome e não têm onde morar, ele vive em todo aquele monte de ouro numa cidade à parte da civilização comum, comendo do bom e do melhor (ele exige o top da cozinha internacional como cardápio trivial!!), vestindo somente modelos exclusivos feitos à mão! E o pior é que fica tentando resgatar ensinamentos que não cabem ao entendimento que os humanos têm hoje a respeito do mundo, da vida, da evolução das coisas. É como tentar ensinar à criança viciada em video-game que o legal mesmo é montar castelos com caixinhas de fósforo e canetas quebradas. Eu mesmo acho o último playstation o ó.
A última foi o pronunciamento sobre os Dez Mandamentos da Igreja em relação ao trânsito. Ao trânsito, meu ego! Ai.

Tanta coisa pra resolver e esse povo perdendo tempo com isso.
Esse totalitarismo guloso cansa minha beleza…”


Ééé…. Falou, senhor Deus. Vamos almoçar?



(sobre os dez mandamentos do trânsito: http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL54741-5602,00.html)

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Cidadania

Junho 18, 2007

Se eu fosse funcionária do Metrô jamais faria greve.
Pensaria no quanto meu salário é maior que o da maioria das pessoas que trafegam nos trens todos os dias e que cruzam a cidade pra ganhar R$380 no final do mês.
Pensaria nos hospitais cheios de doentes esperando pra ser atendidos, nos funcionários que não chegam pra fazer a triagem, nas enfermeiras presas entre duas estações, nos cidadãos também presos nos trens, que precisam levar os filhos ao hospital depois de esperar meses por uma consulta com o pediatra do SUS.
Pensaria na quantidade de problemas que eu causaria se resolvesse parar de trabalhar.
Pensaria no caos que é uma São Paulo parada.
Pensaria que em algum lugar sempre haverá alguém com um problema pior que o meu.

Pensaria na minha segurança… vai que uma passageira psicótica resolve arrancar a minha cabeça porque não consegue chegar à sua casa em São Caetano, em plena sexta-feira à noite?

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If you don’t know where you’re going, any road will take you there…

Junho 15, 2007

O jeito é deixar a vida acontecer. Esquecer dos problemas, dos poréns, dos “e se” que ocupam meus pensamentos e me enchem o saco. Pensar no que me faz bem e no que me move, no que eu acredito que tenha vindo fazer aqui. Entender que as coisas darão certo (como sempre dão. Salvo algumas intervenções do destino que podem alterar todo o curso da minha vida, claro, com algum propósito, as coisas sempre dão certo).
A vida não se planeja… Eu é que preciso abrir espaço, dar chance para que ela aconteça, e depois dar um jeito com tudo o que ela põe no meu caminho.

Se viver intensamente não é isso, não sei o que estou fazendo.

E afinal, saber pra quê?…

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What a Day!

Junho 13, 2007

12 de junho…

Fui despertada com um gostoso café na cama. Tinha suco, leite, queijo e pão fresco da padaria. Ele ficou ao meu lado e lanchou comigo. Sem pressa, nos arrumamos para sair e ir trabalhar.
Durante todo o dia foram diversos torpedos fofos… Ele me enviou um e-mail lindo, dizendo o quanto sou importante na vida dele e o quanto ele é feliz desde que me conheceu… Respondi reafirmando todo o meu amor, feliz da vida.
No trabalho, todas as meninas comentavam como ia seu dia dos namorados e cada torpedo era uma delícia.
À tardezinha ele me ligou e disse que me pegaria no escritório, que era pra eu esperar.
Às 19h em ponto, como marcamos, ele passou e me pegou. Fomos a um restaurante japonês que adoramos, lá no bairro da Liberdade, e comemos muito bem. Tomamos saquê, demos risada, experimentamos especialidades malucas como temaki de ovas de atum (ótimo).

Ele me presenteou com uma linda camisola de seda branca, com vários detalhes em renda. Eu dei o cachimbo que ele queria há um tempão e ele amou.
Fomos tarde para casa… Chegamos, tomamos um banho e aí…

… eu acordei.

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Marketing Viral

Junho 11, 2007

Você já recebeu alguma dica que achou interessante e acabou enviando para todos seus amigos? Imagine isto ocorrendo em larga escala.
Milhões de ppts, planilhas das mais malucas, vídeos bizarros, hits que viram musiquinha de celular.
Há cerca de um mês – pelo menos pra mim, rola o tal do “vai tomar no cu” em wmv, vídeo, interpretações diversas e todo mundo (TODO MUNDO! não me venha de moralismo agora.) morrendo de rir.
Aliás, não sei como o Ricardo ainda não tirou essa no violão.

Enfim. O novo fenômeno é a “dança do siri”. Pelo que entendi é uma invenção dos sem-noção do Pânico!. Mas quem garante que ela não foi criada por um farm boy pastor de ovelhas das montalhas lá da Indonésia?

Conheci a dança neste final de semana.

Imagine vários amigos, todos bêbados, alguns vestindo trajes de festa junina, outros com as sobrancelhas unidas com lápis de olho e com retalhos na calça.
Imagine muito quentão, muita gente que dança mal pra chuchu e muita intimidade (pra dançar isso em frente aos amigos é preciso ter intimidade).
Imagine um bando de marmanjos com as pernas abertas, pés pra fora e as mãos para os lados, imitando as pinças de um siri.
Agora imagine esse bando de barbados desconjuntados andando pra lá e pra cá, fazendo a dança do siri.
Imaginou?
Pois é. Eu vi.

Se não sabe do que eu tô falando, entre no You Tube.
http://youtube.com/watch?v=rTVuGwRCLps

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Calma, Daniela.

Junho 6, 2007

Ontem fiquei presa no elevador.
Voltava da terapia, eram 22h30, estava no pau da viola e doida pra tomar um banho e dormir.
Chegando no hall do prédio, ouvi umas risadas e quando a porta do elevador abriu saíram 8 pessoas de dentro dele, todos falando pra terem cuidado com o degrau, porque o bichão parou cerca de 20cm mais pra baixo.
Na hora pensei: “Hahaha. Super engraçado. Esse elevador é pra uma carga máxima de 6 pessoas! Por isso ele arriou, suas antas de cadarço cor-de-rosa!”. Bom, só pensei e dei boas noites.
Ignorando minha acertada intuição (herança do meu sangue indígena), entrei no bendito elevador e apertei o oito. Subi, subi e de repente veio o solavanco: blam! Parou. A porta fazia que ia abrir, forçava, não conseguia e fechava. E eu entre o sete e o oito. E os solavancos da porta abrindo e fechando.
Calma, Daniela.
Apertei o alarme e o tio da portaria: “parou?”
Eu: “parou! Tô presa entre dois andares!”
Ele, solícito: “peraí!”
Calma, Daniela.
Não tenho medo de ficar presa em elevador, não sou claustrofóbica. Mas tenho pavor daquele negócio despecar, porra! E se cai? O que eu faço? Pulo na hora do impacto? Prendo os pés de um lado e as mãos do outro que nem um macaco? Afe.
Comecei a ouvir o elevador do lado funcionar, e já imaginei uma equipe de resgate. O porteiro, provavelmente, tinha chamado alguém pra ajudar. Deveria ter alguém, em algum lugar, de plantão para essas situações.
E eu esperando. Já parecia que estava lá há horas. Aí, acho que pra me distrair enquanto esperava entre a salvação e a morte no fundo do poço, o tio ligou o rádio do elevador.
Tocava Djavan. Dei risada pensando: eles deveriam ter um plano de emergência com o nome de cada morador do prédio e sua preferência musical. Se a intenção era me relaxar, conseguiram o contrário: Djavan me estressa.
Esperei mais um pouco, a porta dando solavanco e meu coração acelerado, quando vi o tio abrindo a porta de cima.
Ele: “vixe! Tá parado no meio!”
Eu: “pois é…”
Ele: “vou lá no sete!”
Eu: “tá…”
Não tinha ninguém com ele. Minha vida estava nas mãos do tio da portaria.
Aí ele abriu a porta de baixo, e eu, com a calma de uma monja tibetana, ajudei-o a empurrar a porta do elevador. Abrimos, dei minhas coisas pra ele e me abaixei pra pular.
Ele: “cuidado, pule pra frente!”
Eu: “ah, tá. Chegue pra direita que eu pulo”, toda corajosa.
Ele: “olha o buraco! Se incline pra frente!”
Eu: “ooopa!”

Pronto.
Saí sã e salva e meu coração voltara ao normal. Não graças ao Djavan, mas ao tio da portaria.