Posts de Abril, 2007

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Troca de baba

Abril 28, 2007

Fico assustada com a quantidade de estímulos à banalização da intimidade que existem hoje.
Na televisão, nas revistas, nos programas para jovens, nas propagandas de guaraná. É horrível como a mídia tornou a intimidade uma negócio nada-demais, bobo, ao qual todos devem ter acesso.
Pensei em escrever esse texto ao assistir um trecho do programa ‘Beija Sapo’, da MTV. Gente do céu. Que tosqueira. Fiquei constrangida. Papos como “há quanto tempo você tá ‘na seca’?”, “quantas você já ‘pegou’numa balada?”, “tá todo mundo louco pra beijar!”, “pega e beija!”, insinuam que trocar fluidos bucais com uma pessoa que você nunca viu mais gorda, expor a individualidade e perder completamente o senso crítico são os novos valores da moçada.
Se eu tivesse 75 anos talvez minha opinião fosse meio out-of-time, tudo bem. Mas eu não tenho. Sou jovem, curto baladas e confesso: sempre fui do time das meninas difíceis. Daquelas que precisavam ser conquistadas, ouvir muuuuuuitos elogios e mesmo assim, podiam deixar os finalmentes (na minha inocência, falo de beijos) para outro dia, só pra ver se o cara estava determinado mesmo. Hoje estou casada e não me arrependo nem um pouco da minha lista pequena (que eu achava grande) de rolinhos e namoros. Aproveitei o que devia aproveitar, me arrependi de beijar alguns seres terríveis e fui aprendendo que minha boquinha só beija quem merece.
Hoje parece não existir mais isso. É um tal de “chega e beija” que deus-me-livre. Fora aquelas pessoas que beijam diversos numa noite só. Um troca-troca de baba que dá nojo só de imaginar. E as micaretas? Afe.
Beijo pra mim é intimidade. A Julia Roberts, uma prostituta (veja bem, prostituta) em “Uma Linda Mulher” dizia não beijar os clientes porque isso era um negócio muito íntimo. É mesmo, e nunca vai mudar.
A intimidade não deve ser dividida com os vizinhos, com todos os amigos da escola, com todas as meninas da festa. Intimidade é o que dá graça nos relacionamentos sérios. O conhecer de verdade, o saber do que o outro gosta ou não gosta, o olhar nos olhos e adivinhar um problema, o amar. Já pensou amar todo mundo? Se entregar pra qualquer um e nem perguntar o nome? Não consigo entender como esse povo consegue, e cada vez mais cedo.
Eu tinha 12 anos quando dei meu primeiro selinho. Aos 14, o primeiro beijo de língua, que achei nojento. Hoje a criançada beija de verdade com 9, 10 anos. Nem trocaram todos os dentes ainda e já estão trocando baba com o próximo.
Uma vez me contaram que numa balada com vários amigos e primos, a moçada resolveu fazer um campeonato pra ver quem beijava mais em menos tempo. Saíram contando: “um!”, “cinco!”, “treze!”.
Que nojo. Que falta de noção e amor-próprio.

Tá louco.

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Peitaria que nem bala passa*

Abril 26, 2007

Não é de hoje que quero morrer com meus peitos. Odeio. Os dois.
Só não fiz uma plástica ainda porque não tive grana e estou aberta a propostas de patrocínio. Talvez, se eu fizesse como aquela americana doida que vendeu a testa como out-door… Aí nem precisaria da plástica pra chamar a atenção pra outro ponto da minha existência. Ah…

É horrível nunca achar um sutiã bonito (veja bem: BONITO) que sirva. Nunca poder usar um tomara-que-caia, uma blusa de alcinhas finas. Ter que carregar isso pra lá e para cá. Olhar no espelho e me sentir mais gorda por causa do volume. Usar 46 quando a maioria das fêmeas do mundo usa 42 e tem a moda feita só pra elas. Ficar um escândalo com qualquer decote de dois centímetros. Viver preocupada porque tenho a impressão de que a qualquer momento um tonto mergulha em mim dentro do metrô. Perceber que as pessoas (homens e mulheres), ao conversarem comigo, olham o tempo todo para os meus olhos-meus peitos-meus olhos-meus peitos e acham que eu não percebo. Ouvir as cantadas mais esdrúxulas. Ser conhecida pelo atributo físico que eu mais queria que sumisse. Ouvir dos outros ‘você quer tirar? Mas tem tanta gente que quer pôr!’ e SEMPRE responder: ‘é porque não sabem a bosta que é ter esses peitões”.
Ontem ouvi comentarem assim, no ponto de ônibus e sem o menor cuidado para que eu não ouvisse. Olha que mimo:
- meu! Olha só! Parecem duas bexigas!
- ééé.
Minha vontade foi mandar tomar no cu, mas nessas horas não há o que fazer.
E discutir com homem grosso não é lá muito recomendável.

Argh.

* “Peitaria que nem bala passa” é uma expressão carinhosa que o Coronel Ponciano de Azeredo Furtado usa com sua concubina no início do livro “O Coronel e o Lobisomem”, de José Cândido de Carvalho. O Marido também leu esse livro.

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Tenho que correr, tenho que correr!

Abril 25, 2007

Não consigo criar sob pressão.

Prometi a mim mesma que postaria todos os dias, e agora o blogger tá bloqueado no servidor. Alguém andou visitando muito esse site perigoso. Hum.
Beleza.

E agora?

Pensei numa listinha de coisas interessantes para postar aqui hoje. As melhores bandas de todos os tempos (pra mim), coisas gostosas que acontecem com a gente e a rotina do dia-a-dia não deixa perceber, as piores cantadas toscas-top-top de todos os tempos (que eu levei), um questionamento em relação às coisas que tocam nas rádios e que dão medo, um comentário sobre a estupidez que gira em torno da celebridade fifteen-minutes, outro sobre a entrevista que dei para Caras, mostrando todo o luxo da minha ilha particular, meus 312 cachorros, meu spa, meu personal-trainer chamado Alemão, meu quarto todo decorado com estampas de tigre, minha cozinha de cinema, meu closet de setenta e dois metros quadrados….
Só que não consigo desenvolver nada. Tô com bloqueio. Escritores têm bloqueio de criatividade. E blogueiros? ‘Blogueios’? Péssima.

Muita idéia e pouco tempo pra escrever.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

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Blergh.

Abril 24, 2007

Eu sou insuportável. Tão chata que não me agüento.
Reclamo de tudo, nada está bom o suficiente, todas as coisas podem ser melhores pra mim.
É um saco lidar com alguém assim. Bom seria fugir, mas no meu caso não dá, porque a maleta sou eu.
Quando me perguntam ‘como você agüenta o chato do seu Marido?’, respondo: ‘bichô, você não sabe o que ele passa em casa. Eu sou uma peste’.
Sou daquelas que as pessoas querem jogar do trem.

Implico com tudo o que respira e com tudo o que é inanimado. Com pessoas, carros, gases atmosféricos.
Implico com a minha cadeira do escritório, que não pára de fazer barulho.
Implico com a luz, com o calor, com o ventilador do restaurante que solta microjatos de água na minha cara.
Implico com o dia que chega muito quente e com o Marido, que insiste em dormir de cobertor.
Implico com detalhes que ninguém enxerga, implico com bobeiras às quais ninguém dá pelota.

Implico com os passantes, implico com qualquer um.
Implico com meu pai, com a minha mãe e com as minhas irmãs.

Implico com meus amigos.
Implico com meu reflexo no espelho pela manhã, à tarde ou em qualquer hora do dia.
Implico com tudo, tudo mesmo.

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Retratação

Abril 23, 2007

Amigos queridos.

Sei que nem todos os paulistanos são uns tranqueiras e que fiz mal em passar a impressão de que generalizo tudo, ou que todas as pessoas são iguais.
Prova o contrário o fato de que eu mesma sou paulistana e tenho vários amigos importantíssimos ao meu coração que também são paulistanos. Tenho um monte de familiares paulistanos. São as exceções à regra da falta de educação que reina (quase que) absoluta nesta cidade maluca. Ou seja: há exceções.

Desculpem-me os que não gostaram do texto, mas isso é o que eu penso, obviamente excluindo vocês e mais um monte de gente do caldeirão da bruxa.

De qualquer maneira, fico feliz em saber que consideram minha opinião.

Beijos

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I a ló, bé daum

Abril 23, 2007

Sabe o que eu penso?
Que eu não tenho o direito de ser fraca diante dos meus problemas. Mas também que não deveria ter problemas, pois minha cota desta vida já foi batida.
Penso que tudo é pequeno e passageiro, e que minhas atenções devem ser voltadas ao que realmente importa.
Penso que deveríamos tomar quem é verdadeiramente forte como exemplo, e deixar de perder tempo com o que não merece.
Por outro lado, penso que as referências pessoais do que importa ou não são diferentes, e ninguém deveria julgar ninguém.
Penso que ele foi tão forte, tão corajoso, que me entregar seria uma saída fácil, mas não a que o deixaria orgulhoso de mim.
Meu exemplo e meu maior orgulho serão ele, pelo resto da vida.


Em tempo, ‘i a ló, bé daum’ era a pronúncia dele para a frase ‘and I won’t back down’, que quer dizer ‘eu não vou me entregar’. ‘I won’t back down’ é uma música do Tom Petty, depois regravada pelo Johnny Cash, que o Pedro adorava. A famosa ‘Baby’. Tocava, assistia ao clipe dezenas de vezes, reconhecia pelos primeiros acordes. Uma das primeiras músicas com as quais ele se identificou, sem imaginar que a letra tinha tudo a ver com a própria jornada.


“Well I wont back down,
no I wont back down
You can stand me up at the gates of hell
But I wont back down

Gonna stand my ground, wont be turned around
And I’ll keep this world from draggin me down
Gonna stand my ground
and I wont back down

Hey baby, there aint no easy way out
Hey I will stand my ground
And I wont back down.

Well I know whats right,
I got just one life
In a world that keeps on pushin me around
But Ill stand my ground
and I wont back down

Hey baby there aint no easy way out
Hey I will stand my ground
And I wont back down
No, I wont back down”

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Ah, o paulistano.

Abril 23, 2007

Conheço algumas pessoas que sonham morar em São Paulo. Pessoas que nem imaginam a correria insana que é tudo por aqui, a quantidade de mal educados que existem e o saco que é estar cansado e ter que pegar duas, três conduções pra chegar em casa.

Ok. São Paulo é uma cidade legal, tem milhões de opções de restaurantes, programas culturais e baladas tuntch-tuntch de domingo a domingo. Eu gosto daqui, mas tem hora que o estresse é demais.
E o maior problema da cidade é exatamente o estressado. O paulistano, nascido aqui mesmo ou em qualquer lugar do Brasil ou do mundo. O cara pode ser lá do norte do Sergipe ou da fronteira com a Argentina, não importa. Chega aqui e vira paulistano.
Eu também sou, mas de naturalidade, não de comportamento, assim como diversas outras pessoas que conheço. Prefiro dizer que sou do interior.
Minha intenção não é ficar só metendo o pau em São Paulo, mas chamar a atenção ao que torna essa cidade um caos: as pessoas.

Paulistano que é paulistano é mal-educado, mau-humorado, porco, insensível, individualista, grosseiro, egocêntrico, bairrista.
Suas frases preferidas são: ‘que se foda’, ‘não quero nem saber’, ‘azar o dele’ e ‘só podia ser baiano’ (por ‘baiano’ entenda-se qualquer pessoa que venha do norte do país. Ou que tenha um sotaque nordestino, ou que faça qualquer coisa que o outro julgue ser estúpida, ou que trabalhe como porteiro de prédio, manobrista, empregada doméstica, pedreiro. Para o paulistano, é tudo baiano).
Paulistano que é paulistano joga lixo no chão. Mesmo que haja um cesto a meio metro. Mesmo que alguém esteja limpando a calçada, mesmo que não tenha nada caído no chão, mesmo sabendo que a próxima chuva alagará a cidade porque o lixo que ele joga entupirá os bueiros e um monte de gente ficará presa no trânsito.
Paulistano que é paulistano não respeita ninguém, passa por cima. Não está nem aí se a cidade é uma bosta por causa dele.
Não sabe pedir ‘por favor’ ou dizer ‘obrigado’. Não sabe esperar a sua vez e acha que os maiores problemas do mundo giram em torno do próprio umbigo.

Paulistano que é paulistano é assim, babaca por natureza.

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"Você também gosta de levar vantagem em tudo, certo?"

Abril 20, 2007

Não, eu não gosto. Inclusive sempre fui muito certinha com as coisas. Em São Paulo eu fico doida porque ninguém se preocupa com ninguém, todos passam por cima de todos, todos furam filas, ninguém respeita os idosos, o trânsito é um inferno de mal-educados, o dia-a-dia é um saco porque todos deixam pra lá os ensinamentos básicos da vida por coisas muito, muito bestas.
Eu, por exemplo, sempre achei errado comprar produtos pirateados ou com preço questionável, dar esmola no semáforo, receber troco errado e não devolver o dinheiro, comprar coisas do submundo. Acho que as regras devem ser seguidas para que se viva bem em sociedade.
No entanto, cometo meus erros. Só que ao contrário de muita gente, aprendo com eles.

Ontem estava com a maior pressa, com horário marcado pra encontrar alguém no metrô Vila Mariana. Meu chefe me segurou no trabalho e saí correndo, atrasada. Chegando à estação, lembrei que ainda precisava comprar o bilhete e pensei na fila imensa que me esperava na bilheteria.
Seguindo a Lei de Gérson e pensando que só eu tinha pressa, só eu merecia passar pela catraca sem ter que pegar fila e só eu estava cansada após mais um dia de trabalho, resolvi comprar o bilhete de um ambulante. Pensei: ‘são só dez centavos a mais e eu não pego fila’. Havia feito isso só uma vez até ontem.
Comprei o bilhete por R$2,40 e fui à catraca. Quando inseri o produto falsificado, roubado, comprado a rodo, sei lá, ele não funcionou. Uma luz vermelha começou a piscar sobre mim, um alarme estridente começou a soar, os alto-falantes bradaram ‘Bilhete inválido! Bilhete inválido’, e de repente me vi cercada por cinco funcionários do metrô e por pelo menos 20 membros da SWAT fardados e armados. Um deles chutou minhas costas e eu caí no chão, ouvindo o outro falar sobre os meus direitos enquanto me algemava. Olhei em volta e todos os passantes apontavam pra mim e me chamavam de bandida pra baixo, cuspindo de vez em quando.
Me senti péssima.

Óbvio que parte dessa história de terror é fruto da minha mente diabólica, mas o bilhete realmente não funcionou. Minha cara queimou quando fui passar e a catraca não me liberou. Um funcionário veio e olhou o bilhete, dizendo que às vezes isso acontece e que ia buscar outro pra mim. Só que ele me olhava com aquela cara de ‘eu sei o que você fez no minuto passado’ e eu morri de vergonha, sentindo-me, realmente, uma criminosa safada.
Nunca mais compro de abulante.

(Confesso que não confio nem um pouco no Wikipedia. No entanto, busquei essa informação lá e, como eu já sabia da história e só queria confirmar, tá valendo.
Seguem a ‘Lei de Gérson’ as pessoas que gostam de levar vantagem em tudo, no sentido negativo de se aproveitar de todas as situações em benefício próprio, sem se importar com a ética.
A expressão originou-se em uma propaganda da década de 70, dos cigarros Vila Rica, na qual o meia armador Gérson, da seleção brasileira de futebol, era o protagonista. A propaganda dizia que a marca Vila Rica era vantajosa por ser melhor e mais barata que as outras, e Gérson dizia no final: “Você também gosta de levar vantagem em tudo, certo?”. É isso.)

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A mulher mais chata do mundo sentou-se ao meu lado no restaurante hoje

Abril 19, 2007

Coincidência? Acho que não. Meu destino é que é um engraçadinho. Às vezes acho que ele sabe que eu tenho um blog e coloca bizarrices no meu caminho de propósito, só pra ver o que vou escrever sobre elas.


Estava almoçando no mesmo restaurante de sempre, perto do trabalho, a quilo, comida caseira, sussu, quando ela chegou, acompanhada de mais cinco pessoas. Deviam ser todos do mesmo escritório.
Sentou-se na ponta da mesa e com cuidado e a maior cara de inquisitora começou a mexer na comida que ela própria pôs no prato. Separou todas as porções e garfou um pouco de salada. Cheirou e colocou na boca. Entortou a cara feia, e de repente, uma infeliz garçonete desavisada passou. Ela pegou-a pelo braço e falou:

- Essa salada está horrível. Traga-me um prato pra eu separar do resto da comida, que eu espero que esteja decente.

A menina ficou branca e saiu. A mulher não mexeu no prato enquanto ela não voltou. Quando chegou, trouxe um pratinho e a outra jogou a salada nele, dizendo:
- Leve pra pesar porque eu não vou pagar por isso.
A garçonete, controlada como uma monja, respondeu:
- Sim senhora. A senhora pediu algo pra beber?
- Pedi um suco de laranja (e virando-se para os colegas, cínica). Mas aqui não tem suco de laranja, o único que eu gosto. Será que de limão tem?
- Tem sim senhora! Prefere açúcar ou adoçante?
- Açúcar. Odeio adoçante (disse isso dando ênfase ao ‘odeio’, virando para os colegas de novo, que conversavam entre si e não lhe davam a menor pelota).

Ela falava com a mocinha como se a outra tivesse culpa por ela ter dormido de calça jeans, e não se preocupava nem um pouco com a possibilidade de alguém aprontar alguma com seu suco na cozinha. E olha que ela era uma séria candidata a tomar suco com cuspe.

A garçonete saiu e ela começou a comer. Cheirava cada garfada, reclamava de uma coisa aqui, de muito sal ali, da fritura que tinha sido feita em óleo sujo (da qual ela se serviu porque quis – o restaurante é por quilo).

Juro. Cheirava cada garfada antes de colocar a comida na boca. Quase encostava o alimento no nariz e levava à boca, de cara feia o tempo todo.
Fiquei impressionada porque ela parecia achar que estava certa, que tinha o direito de se portar daquela maneira, como uma Cruela Cruel pobre.
Os outros da mesa não lhe dirigiam a palavra, mas ela parecia não se importar, dando uns pitacos na conversa de vez em quando.
Sabe aquelas pessoas que a gente convida só por educação “e aí, quem vai almoçar?”. Acho que era o caso e ela aceitou sair com a turma.

Ao final, pra melhorar ainda mais a impressão que eu tive (não que eu tenha algo a ver com isso, claro), ela limpou os dentes com o guardanapo.
Lindo.
Quase saí correndo da mesa pra vir aqui escrever.

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Mais uma do cotidiano paulistano

Abril 19, 2007

Ontem estava no ônibus, descendo a Brigadeiro pra encontrar com o Marido no Itaim.
Como sempre digo, quem observa o mundo se diverte mais. Primeiro, sentou-se ao meu lado um cara igualzinho ao João Francisco dos Santos, o Madame Satã. Todo de branco, com o cabelo na altura das orelhas, de unhas longas e a cara muito fechada. Fiquei lembrando do filme com o Lázaro Ramos. Paramos num ponto, ele deu de levantar e eu coloquei as pernas para o lado, para abrir passagem. Ele falou, abrindo um sorrisão enorme: ‘pode deixar, que eu sou magrelo’, com uma voz tão grossa e sem trejeitos que eu achei que era mesmo uma reencarnação do falecido transformista.
Depois entrou um rapaz, desses vendedores de bala, e começou: ‘Boa noite, meu amigo. Tenho aqui o novo Halls Ice Gum. De canela e menta, meu amigo, veja só. Na padaria custa 1 real, e aqui na minha mão, meu amigo, só 50 centavos. Dois por um real. Seja esperto, meu amigo’. Saiu distribuindo os chicletes para o povo. Aí parou no meio do ônibus e começou de novo, como se estivesse num palco, falando um texto decorado: ‘Veja só meu amigo, hoje é quarta-feira’…. nesse momento me perguntei o que teria a ver ser quarta-feira, ao que ele explicou: ‘ah, meu amigo, hoje não é quarta-feira, hoje é ZECA-feira. Você vai pra balada, vai tomar uma cerveja e dar beijinho na gatinha. E gatinha não gosta de bafo de cerveja, meu amigo. Com Halls Ice Gum você vai conquistar a gatinha, porque hoje é ZECA-feira. Hoje tem futebol, a gatinha vai ver o jogo com você. E beijinho na gatinha com Halls Ice Gum é muito mais romântico. Canela e Menta. A gatinha vai se apaixonar. Vamos lá meu amigo, dois por 1 real…’.

Cada coisa que a gente escuta…. E nessas horas não tem nenhum amigo por perto pra dividir essas pérolas. O que eu posso fazer além de rir sozinha?