Quando estamos deprimidos, a tendência geral das pessoas é achar que a gente está fazendo manha, que não nos esforçamos pra sair dessa, que se estivessem em nossos lugares, agiriam de forma diferente.
Acontece que não é bem assim.
Eu nunca tinha ficado deprimida antes, mas sempre soube da importância do acompanhamento de um analista, mesmo que fosse somente pra aprender a lidar com a vida e com os probleminhas do cotidiano.
Agora, no estado em que me encontro (devidamente acompanhada por um analista e consciente do meu problema), posso afirmar que tudo me irrita, nada me agrada, não tenho capacidade nenhuma de planejar o futuro, vivo de mau-humor, não quero sorrir e me incomoda ter que fingir para me adequar à vida em sociedade.
Sei que preciso sair dessa. Só eu sei o quanto tenho me esforçado.
Acontece que a depressão não é voluntária.
Quem é que gosta de ficar sofrendo, meu deus?
Um dos meus maiores esforços tem sido não mandar tomar no cu qualquer pessoa que cruza minha frente. Estranhos, caixas de supermercado, atendente de imobiliária, cliente arrogante, estressadinhos no trânsito.
Vão todos à merda! Caralho! Porra! Eu tô de saco cheio do mundo e por mim, ficaria dormindo o tempo todo.
Nem a família e os amigos escapam. Aí entra algo ainda mais complicado: como não afastar as pessoas quando você se torna alguém completamente azedo?
Então, esta é a missão dos que me amam: Paciência comigo. Chegará uma hora em que um sorriso sincero sairá da minha cara. Não sei que hora será essa, mas eu, pelo menos, acredito nisso. Senão, nem aqui estaria mais.
Eu também amo vocês. Meu amor, minha família e meus amigos queridos.
Mas agora, tudo o que eu quero é que o mundo todo se foda.