Não há nada melhor para desabafar do que escrever.
Podemos pôr em palavras os sentimentos mais profundos, sejam eles ruins, bons, doces, secretos.
(Daí quem vai ler o que se escreve é outra coisa, mas para mim, é a melhor forma de me expressar.)
Falei isso para minha terapeuta ontem. Como quando preciso falar algo importante a alguém e não consigo, pego uma caneta e um papel e escrevo (ou mando um e-mail, por exemplo). Aí, o pensamento flui que é uma beleza. Sem interrupções, sem “por quê?”, sem “ahn?”, sem nada que atrapalhe eu escrever exatamente o que quero dizer.
Isso é muito bom.
Não que eu não saiba me expressar verbalmente, mas a escrita é mais adequada pra mim, que sou muito sensível, e, dependendo do assunto, logo começo a chorar, perco o rumo e a concentração.
…
Tenho escrito cartas para o meu filho. Tenho dito pra ele tudo o que sinto com a sua ausência. Embora ele tenha ido embora sem saber ler, aposto que ele entende tudo o que escrevo, que nada mais é que tudo o que eu penso sobre ele, de forma organizada.
Também tenho escrito pra Deus. Ele, com certeza, sabe ler. Tenho pedido por força e fé.
E olha só: Ele tem me ajudado, porque hoje eu sei que vou superar essa perda. Não sei quando, mas vou. É a pior dor do mundo – e que ninguém discuta comigo, mas eu sou forte o suficiente. Principalmente se for considerar tudo o que eu passei pra chegar até aqui.
A tristeza vai me acompanhar pelo resto da vida. Isso é certo. Mas como não há nada que eu não tenha dito ou não tenha feito por ele, já consigo ficar um pouco mais serena diante do luto.
E que falta ele me faz…